quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
(Vinicius de Moraes)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Pequena, coisa pequenina.


Eu não sei o que é, mas tudo me deixou mais sensível hoje.
Uma sensação de ser pequena demais, como se as coisas fossem muito maiores do que realmente achamos, e de perceber incapacidade de tocá-las e transformá-las.
São nessas horas que sinto medo.
E hoje mesmo, alguém disse que sentir medo é bom. Mostra que ainda temos algo que se pode perder.
Estou refletindo sobre isso...






"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

De dentro


Garimpando alegrias, aposentando a mente, almejando afetos.
Assim mantenho o fim da boa nova.
Sonho alto, multiplico egoísmo e beijo a solidão.
Exponho a carcaça poética, reprimo as hipérboles da fala e berro o silêncio que só eu sei ouvir.
Me vejo abrindo portas, conhecendo os enigmas de mim. Sorrindo lágrimas do fim . Digo adeus para recomeçar. Enfim.
Por fim.
Não lembro dos meus nomes, reconheço minhas orações.
E ainda assim, feliz, recomeço e completo as razões contradiórias... de existir.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sinto-me ironicamente feliz com a homenagem de sua "reportagem".
Quem não sabe, é quem mais fala. Descobrindo quem é você, por trás das máscaras e das palavras. Que por hipocrisia, nega-se até o óbvio. Suas notícias cada vez mais contraditórias.
Tempos de regressivas memórias e futuras amnésias.
Acontece...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Confusão tardia

Tudo bem. Vou tentar não pôr de lado essas babaquices amorosas. Porém, convenhamos: escrever (mais uma vez sobre isso) se tornou um porre!
Sou movida por mudanças. Se torna até redundante. Encanto-me com a capacidade de tornar real tudo o que é novo.
Querer ir além.
Querer.
Ir.
Além.
Esses momentos solitários, pode não parecer, mas fortalecem. E muito. De modo a transformar a mais bonita solidão em frieza poética.
-'mais uma dose, por favor'.
E já que decido sobre quase nada quando se trata de surpresas, clamo aos ventos mudança, lágrimas, emoções.
Não que goste de sofrer, mas as vezes questiono-me também esse assunto.
Acho que está na essência, faz parte. Porque sem emoção, sei lá... Perde a graça, perde o sentido.
Parece real? Acho melhor continuar matelando. Quem sabe assim, me sinta bem.

O que não cala



Me vejo abrindo janelas e portas
escalando os muros que se colocavam
no meio do caminho.
Acho que a vida ter que ser assim, pertubadora
com picos elevados de incomodação.
Amar, ou odiar?
não importa..
desde que a vida seja, saborosa.
Quero morder a vida,
e por ela...
ser despedaçada.
Termino com Florbela Espanca,
verso esse, que nesse momento seria o meu clamor.
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

sem mais.

Não tenho vergonha de dizer que estou triste. Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas: estou triste porque vocês são burros e feios. E não morrem nunca.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Milena, anjo meu.


Acho que meus versos não rimarão com os seus. Eles não saberão.
Saberão só, assim, por cima, te descrever. Te oferecer, na mais simples das rimas tudo aquilo que guardo pra te falar. Nada mais daquilo que és.
Acho também, que você não é daqui. Parece de outras luas, de outros mundos.
Tem jeito de flor, cor de bailarina e sorriso de fada. Tu é flor, menina, poetisa, artista e como se não bastasse tudo isso, você ainda existe. Mulher encantadora, que responde pelo nome de Milena, a dona as aspas mais lindas do mundo inteiro. E desfila por ai, disfarçando-se de publicitária, maquiando-se de mulher e pintando poses de boneca.
Mas tu é a mulher mais absurda que eu conheço, porque não perde o brilho nunca. Ainda, é minha afinidade mais acontecida!
Nossa sintonia faz muito mais que um elo, faz um universo inteiro dançar no ritmo da música. Surpreende sempre, com seus um metro e pouco, abraça o mundo e em você mora toda doçura dele. É o coração mais pulsante, e mais colorido, também.
Espero que não se importe se mais uma vez, meus versos não rimarem. Só não poderia deixar de escrever seus encantos. E é por todos eles e outras milhares de magias, que eu te guardo comigo. Para sempre. Que quando mais preciso, encontro um arco-íris dentro de um sorriso!


Para a minha mais doce amiga, irmã e poetisa: Milena, Mima.

Com açúcar, com afeto, Evelyn.


“assim como a caneta que falha
você quando falta
não dá pra escrever”

"Eve"

(Milena Pontes)
Anjo da minha guarda
Sintonia que mora no ar
Vira e mexe, cai no papel
e vira poesia .
Amo como jamais imaginaria .

Senhorita de vários dons
de viver
de levar, leve
de sentir os bons ventos
de transparecer
o que é
o que faz
e o que nada seria
se aqui não estivesse

Batendo forte, do lado esquerdo
com açúcar, com afeto
com o ombro disponíve
lcom todos aqueles ingredientes
que alegram a vida

Torna mais raso o fundo do poço
É assim
É simples assim
Todo o bem
feito
É feita
é por que é
Não custa e nem cobra
lindamente dignada melhor amizade que posso oferecer

Sem meias verdades
Sem freio
Sem lagrimas
Sem o menor esforço
Só risos
por você
com você
Pra você.

ps: Sintonia é a identidade ou harmonia vibratória, isto é, o grau de semelhança das emissões ou radiações mentais de dois ou mais espíritos, encarnados ou desencarnados, ou seja, afinidade moral.
[Texto da Mima feito pra mim, melhor presente que alguém pode ganhar.]

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Eu nem te amo


Preciso me aliviar. Mas dou até risada porque acabaram os caminhos. O mundo não suporta mais esse meu não amor por você. Meus amigos espalmam a mão na minha cara e já vão logo adiantando que se eu pronunciar seu nome, eles vão embora sem nem olhar para trás. Remédios só me deixam com um bocejo químico e a boca do estômago triste, mas não tiram você do meu coração. E escrever, que sempre foi a única coisa que adiantava para os dias passarem menos absurdos, já se tornou algo ridículo. Escrever sobre você de novo? De novo? Tenho até vergonha. Nem eu suporto mais gostar de você. E olha que nem gosto. É como se o mundo inteiro, os ventos, as ondas do mar, os terremotos, as criancinhas peladinhas brincando de construir castelinhos na areia , os carros correndo nas estradas, os cachorrinhos meditando nas gramas de todos os parques do mundo, a chuva, os cartazes de filmes, o passarinho que canta todo dia de manhã na minha janela, a torta de palmito na geladeira, a minha vizinha louca que briga com o gato na falta de um marido, um cara qualquer com quem eu dormi (e todos eles parecem qualquer quando não são você). E no meio da noite, quando eu decido que estou ótima afinal de contas tenho uma vida incrível e nem amava mesmo você, eu me lembro de umas coisas de mil anos e começo a amar você de um jeito que, infelizmente, não se parece em nada com pouco amor e não se parece em nada com algo prestes a acabar. Lembro da sua jaqueta jeans surrada e do seu cabelo cheios de cachos, do cheiro que você tem bem no centro da nuca, do gosto amargo de menino que tem pressa de tomar banho que você tem bem no fundo da orelha. E lembro da primeira vez que eu te vi e te achei meio chato, estranho. Até que você me suspendeu no ar por razão nenhuma eu tive certeza que meu filho nasceria um pouco chato, mimado e estranho. E então, no meio da noite, enquanto eu penso tudo isso, eu pergunto ao mundo todo que não agüenta mais esse assunto. Ao mar, às criancinhas peladas, aos cartazes de filmes, ao passarinho, à vizinha, aos cachorrinhos em meditação, à torta, aos carros, à qualquer um...eu pergunto: por que é que vocês todos estão tão cinza? Por que é que vocês não me ajudam? Por que é que todos vocês também ficam tão tristes quando ele vai embora? Por que é que todos vocês também morrem quando ele vai embora? Por que é que todos vocês também amam ele?
(Tati B.)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Solidão e desabafo.


E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também.
Tá cada vez mais difícil de encontrar. Algo baseado nas minhas escolhas, no que eu quero pra mim. Não tô achando, cara!
Não queria fazer mal a ninguém. Não queria que chorasse. Não quero cobrar absolutamente nada (de mim e nem de Deus). Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar.
Boa Noite!


"Andar com fé eu vou, que a fé não cosuma 'faiá' "

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Blábláblá com tempo.


e pouco importa se existe um deus escrevendo errado em linhas tortas de caderno mal impresso ou se a bola de cristal já disse tudo ou ainda se os destinos estão mesmo marcados na palma da mão e na abóboda do céu e se o acaso e seus sabores não significam nada além do que tinha mesmo que acontecer e se estamos todos nos perguntando como será como será o amanhã para as cartomantes os controladores de vôo as moças de terno rosa o homem que vende flores o horóscopo do jornal o motorista do ônibus o astrônomo a mãe o psiquiatra e a 23o página de qualquer livro porque independente de quaisquer previsão praga destino probabilidade lendo teus bilhetes e os escritos velhos e o verso das fotos impressas e os antigos arquivos de blog uma coisa é muito certa definitiva verdadeira querendo ou não gostando ou não tendo peito para encarar ou não somos tu e eu agora e sempre amém


(Sem o uso de vírgulas para dramatizar)

Não gosto de amor com hora marcada


Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas. Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro, mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. Eu eu gosto de você porque gostar não faz sentido. Permita-se. Se você acha que no fundo mesmo, apesar de todas essas reuniões e palavras em inglês que só querem dizer que você não sabe o que está falando, o que importa é ter pra quem mostrar que saiu o arco-íris. Permita-se. Porque eu não quero que você tenha essa pressa ao ponto de ajudar com as próprias mãos. Eu quero que você sinta esse prazer que chega aos poucos. E mata tudo que há em volta. E explode os relógios. E chega aos poucos ainda que você ainda não saiba nem quem é pouco e nem quem é lento. Porque você morre. Se você prefere a vida quando se morre um pouco por alguém. Permita-se. Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer. porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais. Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte, porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo, se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enrroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum aquilibrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Diga não aos covardes


Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu (e vá ser vago na casa da sua mãe porque embaixo da sua manga eu não fico mais!). Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse. Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito. E bem longe de mim. Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as sete da tarde de uma quarta. Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas? A sorte é sua de ser amado por mim e eu quero agora, ontem, semana passada. Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer bicho-de-pé no Amor aos Pedaços ou quem sabe dar para o seu chefe em cima da mesa dele. É assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo. Calma, raciocínio e estratégia são dons de amor que pára para racionalizar. Amor que é amor não pára, não tem intervalo, atropela. Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar. Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

No fundo, no fundo...


... Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O melhor conselho. (Não espere ilusões!)

Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço.A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O ‘poçodopoço’. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói.Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.

'Você precisa saber da piscina, da margarina, da gasolina...'

Vladimir palmeira- [ É difícil reproduzir o que foi o espírito de 68, mas pode-se dizer que havia uma poderosa força simbólica impulsionando a juventude, representada pela guerra do Vietnã, os Beatles, a revolução sexual, Che Guevara, as guerras de libertação da África. O mundo parecia estar explodindo. Na política, no comportamento, nas artes, na maneira de viver e de encarar a vida, tudo precisava ser virado pelo avesso. O movimento estudantil era um verdadeiro assalto aos céus! ]


Nota, me: Hoje o mundo está conservador, o sentimento predominante é outro. Nesse fim de século a humanidade ainda não conhece um modelo de sociedade diferente, alternativa. Há uma profunda consciência das desigualdades, a violência está chegando a um limite intolerável, sente-se uma enorme aversão às instituições porque elas não correspondem às expectativas dos jovens. As idéias de direitas são hegemônicas. Vivemos num mundo das eleições, dos sistemas políticos, da alternância de partidos no governo, dos blocos sociais.

Vladimir palmeira: [O jovem de hoje se debate por um lugar ao sol, luta por emprego, por espaço na cultura, na política, na economia. A vida é muito mais dura, ele tem poucas esperanças e vê o futuro com temor. Apesar disso, encontro uma enorme força na juventude. basta ver como é capaz de produzir magníficas manifestações artísticas, ou, por um lado, como é capaz de sobreviver ao crime- porque é preciso ter muita coragem, mais coragem que a nossa, para sobreviver no crime.
Foi a juventude que fez o movimento das diretas, a campanha do Lula em 89, a luta pelo impeachment do Collor. Não sou nem um pouquinho pessimista em relação a isso; é um fenômeno que faz parte da própria vida. Hoje o movimento dos Sem-Terra é essencialmente jovem. As greves do ABC foram essencialmente jovens. Lula tinha trinta anos de idade, mas a maioria dos seus companheiros não passava muito dos vinte. Claro que são circunstâncias diferentes umas das outras. Enquanto a juventude estudantil 68-69 fez ocupações nas faculdades, logo depois tivemos a juventude de Guariba, no interior de são Paulo, que desenvolveu as primeiras lutas com os trabalhadores rurais na década de 80.
tenho uma expectativa muito grande com relação a essa tendência, porque creio que os jovens vão salvar o Brasil. Sinto que mais uma vez eles estão ocupando o espaço político, há sinais evidentes e muito animadores disso. ]

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Intra-uterino


Tenho várias caras.
Uma é quase bonita, a outra é quase feia.
Sou um o quê?
Um quase tudo...
Não me sinto bem. Não sei o que é que há.
Mas alguma coisa está errada e dá mal-estar.
No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo.
Abro o jogo!
Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza.

E fim de papo.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Deixe estar


Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco...



quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Me


Me ajuda que hoje eu tenho certeza absoluta que já fui Pessoa ou Virginia Woolf em outras vidas, e filósofo em tupi-guarani, enganado pelos búzios, pelas cartas, pelos astros, pelas fadas. Me puxa para fora deste túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em flor que eu quero encontrar em seu tronco o lótus de mil pétalas do topo da minha cabeça tonta para sair de mim e respirar aliviada e por um instante não ser mais eu, que hoje não me suporto nem me perdôo de ser como sou sem solução.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sensações


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Andar único

Não sei se todos percebem, mas cada um começa com seu próprio passo, com seu próprio ritmo.

Uns, andam bem devagar. Pois sabem que irão chegar.

Já outros, têm andar inseguro e vê-se os seus pensamentos: "Está certo? Talvez esteja. Eu sei.
Talvez não. Não sei"

Sim, sabemos. Tudo bem. 'A diferença é o que temos em comum'

Não usei exemplos para ridicularizar. Usei-os para ilustrar a conformidade, a dificuldade de manter os ideais perante os outros.
Tem aqueles que vemos nos olhos dizendo "eu teria andado de outra forma".
Perguntem-se só por que estavam aplaudindo...

Todos temos uma grande necessidade de aceitação. Mas nós devemos acreditar que nossas crenças são únicas, são nossas, mesmo que os outroas as achem estranhas, raras.
Apesar do gado dizer: "Isso é muuuuuito ruim"

Duas estradas se dirvegem, numa floresta eu escolhi a menos 'andanda'. Isso fez uma grande diferença. Encontrei o meu próprio jeito de andar. Meu próprio jeito de caminhar. Em qualquer direção. Fiz o que quis. Com orgulho, ridículo, como quis fazer.
Percebi que isso me moldou e foi muito melhor assim.

Agora é a vez de vocês!

O Bicho


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

domingo, 3 de agosto de 2008

Carta de adeus

Martinho Junior
Num desespero eu pedi sua mão em casamento. Sim, é preciso que você saiba disso tudo. Nunca passou de um desespero, não sei bem por que: medo da solidão talvez, ou quem sabe, querer possuí-la: por possui, assim como um tênis ou um CD. Mas provavelmente por medo, de supetão, você negou, disse que eu estava delirando e que, com poucas semanas de relacionamento – nem sequer um namoro, era um absurdo tanto a pergunta como uma resposta a ela. O esquisito é que você esmoreceu e um mês depois, recebi um pequeno bilhete com seu cheiro, escrito com aquela sua caneta que você adorava. Tratava-se de um jogo de palavras, uma espécie de quebra-cabeça, uma vez montado, lia-se: “SIM”. Não escondo, assumo que gostei das armadilhas frasais criadas por você naquele bilhete, fiquei entusiasmado, até apaixonado. De fato, um mês foi muito para mim, já não tinha a empolgação “das poucas semanas” do início. Conhecendo-me, eu acredito que manteria meu ímpeto se você tivesse aceitado, se esse “SIM” tivesse vindo naquele momento. Foi a minha vez de fraquejar, aceitei.Deste momento em diante, eu vivi para procurar um sentimento perdido “nas primeiras semanas”, que não voltou jamais: Sentia seu cheiro como antes, acariciava seu rosto perto de seu nariz, posicionava minha cabeça no seu colo, de tal maneira que tinha uma visão privilegiada de teu rosto, tudo aquilo que me fazia um bem indescritível nas primeiras semanas. Mas na verdade nunca foi a mesma coisa. Algumas mudaram para melhor, o sexo, por exemplo, ficou mais intenso, arrisco falar mais gostoso; mas você sabe bem que ter o sexo como pilar na relação sempre me trouxe desgosto e repugnância, nunca tinha sido tão pequeno, ou como está naquele verso de Augusto dos Anjos (e que você nunca gostou): “monstro de escuridão e rutilância”.Não é fácil entrar num casamento sem certeza do que se sente, fui muito corajoso; ou medroso, não sei bem. Mas certeza é de que procurei cumprir o papel de marido com justeza, sem vacilar, muito diferente do que você imaginava: um garoto que precisa de muita coisa antes de se enfiar em algo “de verdade, real”. Eu sempre me considerei uma espécie de Brancaleone (isso, o da Norcia), desajeitado, confuso; mas, insistente e quando coloca algo na cabeça, complica-se para retirar. Assim fui também conosco, sempre tropeçando nas minhas madruga-dúvidas de olhos abertos, espiando você ao meu lado e procurando, com força, te amar, tudo no vazio, no vácuo, por nada. Agüentei bem, 6 anos foi muito forçoso. Estava até habituado com tudo, já nem pensava em reclamar ou te deixar, as coisas se encaixavam e não havia porque mudar. Peço desculpa se não me faço compreensível nessas letras ou se falta um objetivo claro, o que pretendo é escrever o que gostaria de ter falado, não importando com uma ordem ou certa destreza. Sinto dor, pode parecer paradoxal, por não ter você aqui, deve ser o hábito; melhor se for, assim logo consigo firmar um outro. Mas admito, os jantares feito seguido de filme e regado a vinho era algo que dava certo com você. O que quero dizer é que existem coisas que dão certas apenas em um determinado momento e com determinada pessoa; é uma velha teoria de gaveta: por exemplo, se alguém briga muito com você, uma relação de dojô, não necessariamente significa que a pessoa é chata ou briguenta, mas que, naquele momento e com você era a única possibilidade – o que, de maneira alguma, se repetiria se fosse a mesma situação com outra pessoa. Uma vez, lembro que enquanto eu escrevia de modo sistemático e atento para um jornal da faculdade, você me interrompeu! Não algo banal, mas para sexo. Entendia, pois era como se você quisesse provar para mim e, mais ainda, para você mesma, que você era mais importante do qualquer coisa, e era sempre com sexo; como quando você quis transar em cima da minha estimada coleção de gravuras (feitas por mim mesmo, do início da adolescência), obedeci, não hesitei: a prova mais uma vez estava dada. Entretanto isto com minha primeira namorada seria inaceitável, motivo para brigas eternas, infantilidades de pedir provas de amor ou de seja lá o que for. Mas com você dava certo, e posso garantir que não se tratava de amor, apenas funcionava.Você não chegou a me dar nenhuma pista, por isso achei tudo muito injusto, tudo bem que não te amasse, a não ser nas “primeiras semanas”; mas foi o fato que me deixou mais perplexo, intrigado. Foi você que me abandonou e não o contrário. Não posso aceitar, eu suportei o fardo de estar com alguém sem desejar (mesmo que por medo de fazer algo diferente), e quem termina não sou eu, há algo de errado. Já se foi uma semana, e ainda está tudo muito complicado aqui dentro não sei onde. Você chegou, com uma tranqüilidade excessiva, eu, no conforto do cotidiano, estava lendo o jornal do dia anterior, sem lançar grandes olhares, disse um “oi” superficial e voltei às tirinhas. Escutei alguns barulhos não usuais enquanto você estava no quarto, mas não dei a mínima, continuava centrado. Menos de uma hora depois você me aparece com a mala feita dizendo que não suportava uma situação parelha (lembro-me das palavras: “tá foda, não consigo mais, não dá mais”) e que voltaria a casa da mãe. Sem reação, implorei com olhos-de-te-amo lacrimejados para que ficasse, visto o insucesso, comecei a ficar mais agressivo, perguntando então o porquê de tal palhaçada. Também sem sucesso. Sinto-me como alguém que comprou um livro pela internet, pagou, e não recebeu; querendo de qualquer jeito ressarcimento. Você realmente saiu, com uma única mala e não mais atendeu meus telefonemas, na casa de sua mãe ninguém quer me dar notícias, me sinto estupidamente tolo. Formei em mim um carinho indescritível por você, ultrapassa essa coisa do amor dicionarizado, mas que ainda é muito longe do amor que, para mim, não se traduz nem com uma dúzia de dicionários; sinto falta de algo, talvez do conforto.Não tive tempo de nada, cansei de perguntar, não quero mais saber, desisti, pouco importa agora porque você saiu. Queria mesmo pedir um adeus. Mas sei que não terei, julgado e condenado como Joseph K. prossigo sem poder questionar. Assim, resolvo eu te dar adeus, um no qual posso expor o que não tive. Talvez você nem leia essa porcaria! Sei que se esta carta chegar às mãos de alguém antes de você, será jogada fora, o mesmo pode acontecer se você mesma receber. Também pouco me importa; só o fato de escrever já me tranqüiliza e expurga algumas pendências que mantinha comigo mesmo. Mando junto no envelope uma lista das coisas que não quero na minha casa, são pertences seus: até umas fotos de amigas suas insuportáveis, e seu computador velho que dá vergonha até entregá-lo à doação. Como sou tolerante, te darei duas semanas, caso não haja contato, tudo será devidamente enviado de bom grado ao lixeiro. Desculpe as palavras que você bem sabe que não fazem parte do meu cotidiano, nem o tom áspero das últimas palavras, acho que estou um tanto alterado.Ainda não te esqueci, lembro como foi bom tentar te amar, te desculpo pela besteira que fez. Um beijo e não se esqueça de suas coisas que te aguardam.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Matutando pra sorrir

E o dia está raiando...
Lá onde o sol brilha, os passarinhos cantam e embalam o dia.
Do outro lado, pessoas cansadas despertam suas rotinas através das buzinas, das máquinas, do cinza.
Eu amanheci na certeza de meus pensamentos, perdida em meio a tanto concreto, a tanto barulho, a tanta falta de SER. Saí buscando um tiquinho de mato; em cheirinho de terra, uma poesia pra acalmar. Saí por ai... MATUTANDO.
Eis que vejo, além do ponto egoísta abaixo do nariz, gente iluminada que também buscava e além do mais, oferecia: poesia, barro, flor, arte, amor.
E saímos por aí... Matutando.
Matutando pra comer, matutando pra vencer. Gente que pensa, que faz acontecer...
Que matuta... Pra viver!
Gente que cheira flor só por dançar, por cantar. Sorrir.

Eu matuto, Tu matutas, Ele matuta, Nós matutamos, Vós Matutais, Eles Matutam.

Saberás o que ‘Matutar’ vem te dizer, só se sentir e que se deixar tocar.
A gramática é vaga. Classificações morfossintáticas, meu bem, serão em vão.
Jogue pra cima o dicionário e entenda que a arte não é matemática: não é lógica nem previsível.
Feche o os olhos e a sinta. Matute com a gente. Não importa o que isso signifique pra você. Venha pra cá e sinta!
Toque no barro, ande descalço, mergulhe naquela cachoeira. Suba no alto daquela montanha logo ali e... Dance! Cante! Recite pra mim...
Só não se esqueça: Tu não serás, se não matutar.
Matutando meu corpo diz: ‘Eu sou mais feliz, assim’...

Simplicidade, Matuta.

Dedicando com muito amor ao nosso novo projeto de Arte: Trupe matutando.
Vontade!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Metal na Pedra


Habitantes da nova Babel
Onde moram pássaros
Com asas de aço e papel.
E um canto encerrado
Um canto em pedaços...
Quem vai sair?
Que quer sair ?
Que vem ai ?
Habitantes da nova Babel
Aprendendo a plantar
Árvores nas pedras
Sorrisos e flores
Em vasos de argila
Suspiro de amor na boca das janelas
Quem vai sair?
Que quer sair ?
Que vem ai ?
Habitantes da nova Babel
Aprendendo a plantar
Metal na pedra
E um canto escondido que vem do fundo do mar
Um grito na selva guarda um canto de amar
Quem vai sair?
Que quer sair ?
Que vem ai ?
Milhões de janelas que cantam que gritam
Que imitam estrelas
Habitantes da nova Babel
Onde moram pássaros com asas de aço e papel.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Olhando de outro jeito.


Nada é mesmo o que parece ser... O mar de longe é azul, de perto é verde, por dentro, transparente. Aparentemente, tudo é diferente do que realmente é... Eis então o segredo para não julgar: em vez de olhar o mar de longe, mergulhar!



E viva a Vida. Que ela é muito boa!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Conversas no Porão...

...Terminam na cama.

Um ponto final e muitas outras reticências
Eu sei, nada disso acabou.





"Eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem, a moça do meio da tarde de um domingo azul..."

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Puxa a mala lá de cima. Outra vez!


Eu andava tentando me preencher daquilo que só traz mais vazio. Abastecendo-me do que desde o princípio eu sabia não fazer diferença nenhuma. Tudo porque me deixei convencer que era melhor um pássaro na mão do que dois voando. E por algum tempo eu fui me desvencilhando da carapuça de sonhadora. Deixando para trás o par de tênis surrado da cinderela, as meias coloridas da Alice e as tranças cheias de pontas duplas da Rapunzel. E pra quê? Pra rasgar uma identidade, adequar-se a mulher do novo milênio... Eu hoje, talvez só nesse exato meio-dia, estou me lixando para os avais que não recebi! Lixando-me para todas essas malditas convenções que me mandam ser mais eu, ter mais amor próprio! Aqui é tanto amor que tem pra próprio, pra próximo, semelhante, inimigo, alheio e pra uma micareta toda. Desculpem-me os que não conseguem ver beleza na guerra, mas eu prefiro tentar voar ao lado dos pássaros que estão no ar. Que me desafiam! Antes mesmo de começar a deletar tais mãos e bocas, eu vou marcando o terreno do que nutre. Destrói também; mas eu já disse que sinto o prazer na luta. Eu gosto dessas marcas e cicatrizes que provam que eu vivi. E ninguém um dia poderá decifrar a minha próxima atitude. Trabalho em favor do meu coração. Desse inefável coração! Que incessantemente implora calor. Que pediu para que eu jamais me conformasse com simples trocas de favores. Com amizade, simpatia e comodidade. Ele precisa de paixão para bombear todo o resto. E eu tô fazendo o que for preciso pelo frio na barriga. Puxa a mala lá de cima. Outra vez.
[Amanheci mais que feliz: Renovada]

domingo, 13 de julho de 2008

Diário 13/7


Cansei desse meio-termo, sabe? Por tantas vezes quis e fiz, me enjoei, abri mão... E creio que hoje, me acomodei, ou por covardia, fingia que nada acontecia. E neste exato momento estou tentando realmente saber o que é melhor pra mim, o que é melhor pra nós. No entanto, o vazio, o medo de perder, a vontade de não ter... Me cegam!
Confesso que sempre achei você a melhor companhia naquelas noites frias. Sua voz e seu calor eram como refúgio, me acalmavam. Confesso que sempre achei você a melhor companhia da minha carência momentânea, da minha falta de lazer, da minha falta de paixão, quando tudo aquilo que eu precisava eram dos SEUS beijos. De sexo.
E confesso mais uma vez, que quando quis ser correspondida, você não teve a atitude digna de um homem, a qual eu esperava. É sim, agi como uma criança que perdeu seu melhor brinquedo. Brinquedo. Tai a palavra certa que me ajudou a classificar você em minha vida. Eu não queria o seu amor, a sua atenção. Eu queria você para a MINHA atenção. Posse.
As decepções criaram um poço de AMADURECIMENTO. Eu me ajudei, e sem querer, te ajudei também. Soubemos lidar melhor com as estranhas vontades que possuíamos um com relação ao outro. Moldei-me com mais segurança na hora de enfrentar você. Muita coisa mudou em mim, e pouca coisa mudou em nós.
Sinceramente, eu não o desejo como futuro. Minhas idéias não cabem nas suas. Estamos seguindo ideais de vida e emoções muito diferentes. Eu o quero feliz, muito feliz. Mas você sendo você e não fazendo parte de mim. Afinal, sei bem o que quero, e vou até o fim para conquistar. Ao certo, você saiu da minha listinha de desejos... O que me intriga, o que me tira o sono é saber onde encontrar esse outro alguém que tanto idealizo em minha vida e dizer um ‘BASTA’ definitivo a você.

Sei que você não merecia esse texto. Mas não há nada melhor do que um texto para definir um ponto e final e começar uma nova etapa!
Sem mais por hoje.


P.S Milena, se ler esse post, vou querer um dos seus conselhos!

Reticências

Se é errando que se aprende, aprendi com você.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Eu, aqui, comigo... Pensando.


Sempre achei a alegria coisa muito mais séria do que a tristeza. Minha mãe já disse que se mata um tigre a cada dia pela alegria, ou pela felicidade. Então, quando alguém me sorri, eu me pergunto o que aquele sorriso lhe custou de dor, de coragem, se foi demorado, se caiu e se quebrou, se é sorriso que alguém viu, ou que se perdeu. Eu me pergunto o quanto lhe custou de solidão, de não haver ninguém que lhe toque a testa para dizer: -'pode chorar, chora, chora, chora'. Ou se o sorriso é fruta apanhada na hora, a mais doce, que dá formiga, se é de presente, de sal, se é sorriso que alguém mereça, ou é só uma forma de represar o choro e ficar simples, simples como um menino com sua bola, muito antes de ser jogado às feras. Quando alguém me sorri, eu me pergunto se seu tigre de cada dia já passou, ou se ainda virá.
À esquerda do peito, batendo.

A Fórmula da Juventude


Simples, não?

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Magia


Só agora eu entendo o porquê de os circos estarem sempre mudando de lugar...Chega um dia que os palhaços já não conseguem arrancar mais risos de uma mesma platéia,como fazia inicialmente; que o trapezista já não causa espanto com suas façanhas e o mágico não mais surpreende com seus velhos truques, pois todos eles são descobertos com o passar do tempo.
Chega um dia que a alegria da novidade de outrora se transforma no cansaço da velha história repetidas tantas e tantas vezes, e neste dia é hora de partir e buscar outro público...Talvez por isto que seja tão fácil conquistar alguém e tão difícil permanecer juntos e "felizes para sempre..."
E esta é uma das grandes diferenças entre ficção e realidade.A gente não sabe como a história começa, mas sabe que no fim, vive-se feliz para sempre...Na vida real começa sempre do mesmo jeito, a mesma alegria entusiasmada da novidade,o mesmo olhar espantado com as façanhas do amado; a mesma surpresa diante dos truques da conquista, mas no final, cada história tem um final diferente.Se vão ser "felizes para sempre" ou não dependerá de conseguirem ficar muito tempo no mesmo lugar! Criando a cada dia, não novos truques, mas MAGIA....

terça-feira, 1 de julho de 2008

'Tu vens...


[Nota do Passado]: Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe. Portanto: Não me arrependo!

Para mim, passado limpo. Espero agora o desabrochar da minha flor. E você primavera, quando virá, hein? Eu penso penso, imagino, sonho acordada com você. O melhor disso tudo: eu sei que tu vens. Terei que esperar, sei. Já aprendi muita coisa, menos esperar. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica ,psicanálise, drogas, acupuntura, suicídio, ioga, dança, natação, Cooper, astrologia, patins, marxismo, candomblé, boate gay ecologia, sobrou só esse ansêio. [Nota do Futuro]Agora o que faço?

Recadinho na geladeira


Não preciso gritar ao mundo que sou capaz. Se eu já sei, então me basta. Anunciar meus planos, sonhos e desejos... De quê me adiantará? O meu agir vale mais que mil palavras. Acabou.
Também não quero me mostrar um poço de fortaleza. Determinação e coragem não são sinônimos de insensibilidade. Meu bem, meu peito ferve de sentimentos! Então, para aqueles que me julgam , ofereço meu silêncio. Mas não por não ter nada a dizer, e sim, por não ter tempo a perder. Obrigada!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Desabafo. Ufa!

Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Nosso orgulho e outras merdas


Mal acordei hoje porque mal dormi. Pisco o olho e vejo seu rosto. Fecho os olhos e seu olhar assustado me olhando, ontem à noite, não me sai da cabeça. E se você quer saber, tá foda mesmo. Tá foda ter que fingir que eu não tô nem aí se te vejo (ou te sei) com outra. Tá foda esperar por uma ligação que nunca acontece. Tá foda não poder te ligar porque meu orgulho idiota não deixa. Tá foda saber que você não me liga porque seu orgulho muito mais idiota que o meu não deixa. Tá foda agüentar a sua covardia e muito mais a minha que só conseguiu juntar algumas palavras toscas e escrever um texto. Tá foda fingir pra mim mesma que não tá foda toda vez que eu te vejo. Tá foda até quando eu não te vejo. Eu não sei quantos anos a gente finge que tem, mas a gente não é adulto o suficiente pra conversar como deveria. Eu não sei o que essa merda desse orgulho idiota faz na vida da gente que não deixa a gente ser a gente e simplesmente viver. Que não deixa a gente se entender. Que não deixa a gente se querer mesmo sem entender. Eu não sei e se soubesse também não saberia explicar. O que eu sei é que tá foda te ver e não poder te querer. Ainda ter seu telefone e não poder te ligar. O que eu sei é que por meia dúzia de atitudes idiotas, a gente nunca mais se falou. Meia dúzia e duas pessoas idiotas.Isso não combina comigo. Fingir que nada aconteceu, fingir que não te conheço, fingir que não te vejo e fingir que não te quero. Pro inferno com esse negócio. Já devo ter te contado que sou péssima atriz. Finjo pra mim mesma e nem eu acredito. E não acredito que você não me quer mais. Não acredito que você me viu ontem e não sentiu um friozinho na barriga. Não acredito que você só me quis por causa da minha barriga e das minhas pernas. Não acredito que a gente daria certo por mais que uma noite de festa. Não acredito na gente, na verdade. E, mesmo assim, não acredito que seja o fim. Na verdade, não sei mais em que acredito. Eu, que já acreditei em você, não acredito em mim mesma escrevendo esse texto. Eu, agora, nada sei, só sinto. E o que eu sinto é que eu engasgo com a respiração quando você passa do meu lado. Sinto que o homem forte que você é fica sem saber o que fazer quando me vê. Sinto muito, mas a gente ainda sente. E acho que se não sentisse, a gente deixaria a porra do orgulho de lado. Sinceramente, você nunca foi meu homem-objeto como você pensava. E, no fundo, eu sei que não fui só um corpo que te fez companhia nas festas onde você nunca precisou de mais nada além da sua vodca com energético. Você sempre foi uma boa companhia e um papo inteligente. Eu sempre fui uma piada nos momentos trágicos, um carinho no seu cabelo, e uma mulher que você acredita (Ava) ser culta e interessante. E, por mais que eu nunca tivesse acreditado num final feliz pra gente, eu nunca imaginei que o desfecho fosse esse. Nunca imaginei que nosso orgulho fosse separar a gente.

Evelyn.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Moldando a minha Roda-Gigante


Sabe, existe mais nas pessoas do que os olhos ou conceitos podem determinar. Apesar da cara de pau e do meu desdém de tantas horas, sou uma pessoa que carrega consigo mais do que só palavras e piadinhas infames. Tantas vezes eu quis chorar diante de situações em que me senti mal, triste ou fraca, mas que segurei para poder estender a mão para outros que assim também estavam. Tantas vezes eu quis jogar tudo pro alto, mudar de rumo, mudar de casa, cabelo, amigos, visão e não o fiz por respeito às amizades e relacionamentos que construí pouco a pouco. Percebo que as pessoas preocupam-se em ter. Querem ter mil amigos no orkut, mil nomes no msn, o trabalho dos sonhos ,o carro do ano e as verdades, todas as verdades do mundo só pra elas, não se importando em quantas pessoas ou corações irão dilacerar nessa caminhada. Sou honesta comigo mesma, e isso me faz feliz em vários aspectos. Não preciso provar nada pra ninguém, mas antes de falarem por mim já digo: Por mais tristezas que possam haver dentro do peito, meus desejos são sempre de boas energias e que as trilhas possam ser iluminadas em todos os pontos.
Boa sorte a todos. Aos calados e aos que falam além do que deveriam.
A vida é uma só.
Vivam!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Aviso (básico)

Legal mesmo é mulher de verdade! E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada as vezes, mas é até engraçado. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sobre mim, feito por ele!


Incrivelmente linda, insuportavelmente doce, encantadoramente inteligente, surpreendentemente politizada.A Evelyn é isso, tem as imperfeições que quase levam a perfeição!Brilha toda vez que consegue de você o que ela mais gosta: discutir um assunto! Mas ao contrário de imaginar que passar horas ao seu lado conversando sobre os mais variados assuntos pode ser uma chatice, vai acabar ficando encantado. Ela vai dar aquele sorriso insuportavelmente delicioso a cada três frases que disser, e você vai sentir o quão maravilhosa ela pode ser.Ela vai te contar das incríveis viagens que ela faz e sonha em fazer...Não se surpreenda quando ela escalar montanhas, acampar nos lugares mais gelados, carregar as malas mais pesadas, sem desmanchar a maquiagem ou até mergulhar nos mares mais revoltos e sair como uma princesa... isso sem contar com as imensas madrugadas viradas, dançando do alto de um salto fino e na volta pra casa, um convite pra ver o sol nascer !Vai começar falando da futilidade do mundo e terminar culpando o sistema capitalista. Ambígua que só ela, vai se mostrar indignada com os padrões estéticos, porém vai passar maquiagem pra esconder os defeitos que ela cisma em dizer que existem.Ela que diz que odeia gente eclética, vai se mostrar a pessoa mais eclética do mundo, porque sabe falar de todos os assuntos, com todo mundo.Gosta de dançar, de ouvir MPB, mas bem sabe cantar umas musiquinhas pops!Já leu os livros mais difíceis da literatura brasileira e de filosofia alemã, se informa através da Carta Capital e da Caros Amigos... mas lê Veja, segundo ela, pra poder criticar!Adora filmes cults, desses bem profundos que os mortais costumam não entender ou achar chato demais. Ela não só entende como adora filmes profundos e políticos. Mas assiste um típico hollywoodiano pra diversão, mas claro, sai falando mal no final!Quando ela fala de política, o olhinho dela chega a brilhar. Primeiro porque tem o sentido da justiça aguçadíssimo e só acredita na justiça com revolução.
Nasceu com alma pra curar, pra fazer sem ajuda de mais ninguém...Apenas dela mesma e sua intuição. Apaixonada pela Medicina. Nasceu com o dom e isso eu tenho que admitir! Sua mão de ferro sempre estará calçada em uma luva de veludo, sua vontade e seu egoísmo sempre estarão acompanhados por sua delicadeza, educação e o mesmo sorriso encantador de sempre. É assim que normalmente ela costuma conseguir o que quer: fazendo com que as pessoas pensem que foram elas que escolheram ser suas prisioneiras por livre e espontânea vontade. Ela tem um jeito tão educado de impor suas vontades, que a gente fica até sem jeito de dizer "NÃO". Digamos, um ‘pouquinho’ autoritária.Poeta, agora além de admiradora da poesia ela escreve. E como são belos e doces, os retratos da sua alma. Porque é assim que são seus poemas, espelhos do sentimento.Santista, muito apaixonada, diga-se de passagem. Sabe fazer toda a análise sociológica e antropológica do futebol, mas esquece de tudo isso na hora de defender o Santos, que segundo ela, é o time mais perseguido, de história mais bonita... e por aí vai!Quer um conselho? Não defenda os americanos, não seja corinthiano, jamais seja a favor do capitalismo, não conte piadinhas sobre mulher, negros ou homossexuais.

Substantivo concreto da beleza, da alegria, da justiça, da sensibilidade, da doçura e da teimosia.

Ela que é segura, é disputada e a que mais parte corações!

Eu acredito muito, quando ela diz que vai fazer do mundo um lugar melhor, talvez ela só não entenda que só o seu sorriso, faz já faz o mundo infinitamente melhor, pra mim e pra todos.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Olhos de Jardineiro


"Esperar
é acreditar
A vida me ensinou a esperar
Quantas vezes eu quis ter
um jardim pra te dar
Quando tinha a terra,
faltava a semente
Quando tinha semente
vinha a chuva fortee levava tudo embora
E pra complicar,
Andei por caminhos tortuosos
Foi difícil voltar
Tivemos noites de vendavais
E em noites de vendavais
o dia demora a chegar
E foi assim
Ainda bem que desses anos todos
guardamos restos de sonhos
Rabiscos, pedaços de versos
Canteiros do nosso jardim
Vem ver:
A Primavera floriu
'Flor de Maio' tá tão linda
"Inda" nem é abril
'Onze horas' 'sem-vergonha' dá por todo lado
Beija-flor apaixonado todo dia vem beijar
e contar os botões
que ainda tem pra abrir
E partir em buscade outras flores
em outros jardins
Já estive com outras flores
em outros jardins
Hoje estou aqui
pra te regar
te proteger dos ventos
Te cuidar
Te servir
pra o que for
Os olhos do jardineiro é que abrem o botão da flor"
Do ídolo, poeta, grande Zé Geraldo!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Fantástico!

"(...) Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta (...)" (Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Re-volta

(Anotações)


O que me diz de um POUCO de sinceridade?
Aí vai : é muito difícil abrir mão de quem a gente 'ama', mas isso não é amor, meu querido. É puro sentimento de posse. Talvez você pensa que ama (eu também). Mas amar não é fazer de 'tudo' pra que te aceite, e sim tentar mudar um pouquinho pra que fique mais fácil.
Traição e mentiras estão presentes em qualquer relacionamento, mas deixam de ser 'necessárias' quando se tornam presentes a TODO momento.
É TUDO parte do SEU jogo, do NOSSO jogo. Pois antes de nos tonarmos 'Nós', deveríamos ter sido 'eu' e 'você'. Estaria aí o erro?
Sinto MUITO, mas vai ter que ser sem mim.

Jarras de CONFORMISMO ;)

Cantiga "Partindo-se"


Senhora, partem tão tristes
Meus olhos, por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes viestes
Outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo Branco (séc. XV)

Trovadorismo
(Acho essa cantiga a alma exprimida de delicadeza e paixão, linda.)

sexta-feira, 25 de abril de 2008




Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania.

domingo, 20 de abril de 2008

Estrela da Manhã


Você irá desculpando as faltas, que eu por meu lado irei tentando me adaptar aos seus gostos. Quem sabe se apesar de todas as diferenças alegadas temos uma porção de coisas em comum?
Vez por outra hei de lhe desagradar, haveremos de divergir; ninguém é perfeito neste mundo e não sou eu que vá encobrir meus senões. Tenho as minhas opiniões obstinadas - você tem pelo menos cem mil opiniões diferentes - há, pois, muito pé para discordância.
Mas quando isso suceder, seja franco, conte tudo quanto lhe pesa. Ponha o amor próprio de lado, que lhe prometo também não fazer praça do meu. Lembre-se de que há um terreno de pacificação, um recurso extremo, a que sempre poderemos recorrer: fazemos uma trégua no desentendimento, procurando esquecer quem dos dois tinha ou não tinha razão; damos o braço e saímos andando por este mundo, olhando tudo que há nele de bonito ou de comovente: os casais de namorados nos bancos de jardim, o garotinho cacheado que faz bolos na areia da praia, a luz da rua refletida nas águas da baía, ou simplesmente o brilho solitário da estrela da manhã.
Depois disso, não precisaremos sequer de fazer as pazes; nos seus cem mil variadíssimos corações, como no meu coração único só haverá espaço para amizade e silêncio.
Há anos sei que é infalível o resultado da estrela da manhã.

Uma análise.


É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Crônica do Amor.


"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim, você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa."

Arnaldo Jabor


[Não poderia deixar de colocar uma crônica do Arnaldo Jabor.]

Nota:




"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?"(Fernando Pessoa)

AQUI


Ah! Daqui eu vejo o mar pela janela
os pássaros com cores de aquarela
e o verde azulado desse mar
os índios moram no final da trilha
Vou ver o sol nascer atrás da ilha
e a ilha vai me ver amanhecer
eu deixo a brisa quente me abraçar
com as ondas eu aprendo outra canção
E deixo o mar molhar meu coração
a areia branca vai me temperar
a vida por aqui é tão mais bela
eu posso ver o mar pela janela

Ah! Aqui o tempo voa devagar
o dia não tem pressa de passar
eu vejo o sol se por lá nas montanhas
e o tom quase magenta entardecer
Estrelas trazem outro anoitecer
e quando elas caem de repente
aqui da praia faço meus pedidos
que eu tenha esse lugar por toda a vida
e quando a cantoria for ouvida
um novo dia vai amanhecer
mas muito ainda tenho pra cantar
Aqui o tempo voa devagar

Ah! Os cães vão me seguindo à beira-mar
a chuva pode vir de algum lugar
e se chover eu deixo ela cair
e encharcar meu corpo à vontade
E se eu fosse dizer toda a verdade
na hora em que eu ligasse pra cidade
Diria que aqui vai tudo muito bem
e que a saudade pode me matar
Mas mãe, acho que aqui é meu lugar
eu conheci pessoas divertidas
não quero nem pensar em solidão
aqui o mar lavou meu coração...

'Dum' tipo.


Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte. Não escrevo muito sobre a morte: na verdade ela é que escreve sobre nós - desde que nascemos vai elaborando o roteiro de nossa vida. O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós. O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância. Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes. A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura. Às vezes é preciso recolher-se

Um Momento.


"... hoje tive vontade de sentar na calçada da rua Augusta e chorar,mas preferi entrar numa livraria,comprar um caderno lindo e anotar sonhos" (Caio Fernando Abreu)

domingo, 13 de abril de 2008

A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta, dói. Bater com o queixo no chão, dói. Torcer o tornozelo, dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dói. Bater a cabeça na quina da mesa, dói. Morder a língua, dói. Cólica, cárie e pedra no rim também doem. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de uma pessoa que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade de um querido que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dói, essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua com problemas de anemia, não saber mais se ela continua fazendo luzes no cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu, não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido às aulas de inglês, se ele aprendeu afazer uma redação, se ela aprendeu a dirigir, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo suco de laranja, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando Ballet, se ele continua surfando, se ela continua lhe adorando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música (daquela música), não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ele esta com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está mais magra, se ele está mais belo.Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Minhas marcas


Eu tenho marcas sim, não escondo, sou de carne e osso. Sou feita de pó, mesmo. Tem maquiagem, sim. Não é máscara não, nem segredo, nem esconderijo, nem fuga, é condição. Surpresa, mistério, beleza da contradição. Marcas, minhas. Coisas que o tempo fez, cicatrizes que a vida fez, que eu mesma fiz, e que me fizeram, eu deixei que fizessem. Moldei-me, hoje elas me fazem melhor. Foi o preço que paguei, tive que pagar. E gosto disso, talvez. Faz-me tão mais forte! Que não abro mão disso, sobretudo de mim.
Ah, mas não se assuste com isso, amor, por favor.
É tudo tão frágil, pode desmoronar com um sopro.
Meiguice também acaba, é de açúcar. Mas continua doce, veja só. Veja bem, meu bem, mesmo que isso não sare, melhora.

"Meu caminho nesse mundo, eu sei vai ter um brilho incerto e louco dos que nunca perdem pouco, nunca levam pouco, mas se um dia eu me der bem vai ser sem jogo"

domingo, 6 de abril de 2008

Espelho


O espelho nos dá uma sensação mágica de, subitamente, tomar consciência de si mesmo. É o momento que você se encontra com o que você representa para o mundo. “Ah então é assim que eu sou.” Repare que em frente do espelho, a gente sempre faz uma careta. É porque achamos que somos diferentes daquilo que realmente somos. Então, a principio, não acreditamos muito naquela imagem. Até achamos graça. Depois a examinamos direito, e viramos de perfil, de costas, mexemos o cabelo e dizemos: “olá, como vai?”. Espelho sempre foi uma coisa importante na minha vida. Eu adoro me ver no espelho, apesar de sentir certa vergonha se houver outra pessoa do lado. Em banheiro de rodoviária, por exemplo, sempre finjo que estou espremendo uma espinha, quando quero me olhar por mais tempo no espelho. Sempre que vou a uma festa e estou bêbado ou chapado, me tranco no banheiro e fico horas chorando de rir na frente de um espelho: “olha lá você, danada. Está doidona”. É engraçado como eu me estudo minuciosamente frente ao espelho. Presto atenção aos detalhes: “essa mecha de cabelo está feia, passo ela pra cá, e assim ta melhor”. Acontece que ninguém percebe a mecha corrigida, isto é, pra maioria das pessoas tanto faz se ela está de um lado ou de outro.